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| (Imagem retirada do Pinterest) |
O céu é azul. O Sol queima a pele exposta. A
brisa é tão fraca que mal balança as folhas nas copas das arvores que sombreiam
meu quarto. Os pássaros cantam sua ancestralidade, contentes pela liberdade que
poucos ainda possuem.
Quando as nuvens se aproximam e o mundo fica
cinza, com as mãos firmes eu a seguro, espremo meu rosto o máximo que posso, lá
está... o cheiro vívido da água que escorre pela face da terra, lavando minha
alma e a palma da mão que se estica como um galho frágil em busca de redenção. O
cheiro da natureza pulsante no jardim do vizinho, abandonado e selvagem ele
cresce sem direção. Espalhando-se como um tapete vivo que cobre as paredes da
casa, dos muros e do portão.
Engolida pelo ar abafado, com o pescoço molhado
abraço a mim mesma. Quase de cabeça para baixo, deixo os pés no alto, nela
escorados a me apoiar na certeza da beleza que me dá.
O cinza se foi com a chegada da fera laranja como
fogo que parece lamber as feridas expostas, e sei que já está ficando tarde
agora. Assim como é tarde demais para ainda estar aqui, olhando por ela em
busca de respostas para perguntas que nem consigo verbalizar. Olhando o quase
mundo colorido que me cerca e esperando ouvi-lo sussurrar as certezas que
deviam brotar dentro mim, não fora.
Agora ainda olhando vejo que as horas avançaram
traiçoeiras, deslizando por meus dedos enquanto tentava segura-las. O azul é
quase negro para olhos desatentos e os milagrosos pontos de luz que ainda
persistem cintilam com suas almas perdidas que a muito se foram e ainda não
sabem.
Sorrio cansada da vontade de viver que me consome
e me paralisa, o tempo perdido e amaldiçoado por velhos fantasmas inseguros que
sugam meu corpo pesado. Sorrio na esperança de um amanhã melhor, porque sei que
vai ser melhor, como a maioria deles são. É que as vezes acordo com a certeza
de que nadei milhões de oceanos enquanto dormia e acordo sem forças.
Mas o mundo é cheio de outras como ela, com
milhares de cores e vistas e eu tenho milhares de olhares para cada uma delas.
Então fecho-a, agradecendo pela companhia, por
ser tão acolhedora em dias de sol e tão protetora em dias de frio. Fecho-a
sabendo que só as abrirei quando for um novo dia, cheia de novas bilhões de
oportunidades.
Porque diferente dela, não sou estática, inercia,
vendo sempre as mesmas coisas. Sou movimento e vida, sou alma e coração, sou
universo em mim mesma, sou capaz de ver o mundo inteiro e não apenas uma
centelha dele.
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